Dispositivo inovador de armazenamento de dados chega à Lua

Uma empresa de arquitetura projetou este dispositivo para armazenar dados e criar sombras com silhuetas humanas enquanto o Sol se move no céu lunar.

A exploração espacial acaba de ganhar um toque de design arrojado. Um novo projeto da renomada empresa de arquitetura Bjarke Ingels Group (BIG) está a caminho da Lua como parte de uma missão espacial recém-lançada. O pouso está previsto para o início de março.

Embora não seja uma estrutura arquitetônica propriamente dita, o projeto abriga um centro de armazenamento de dados do tamanho de uma caixa de sapatos. O objetivo é demonstrar o conceito de backup de informações fora da Terra para a proteção contra desastres. Desenvolvido para a startup norte-americana Lonestar Data Holdings, o dispositivo de armazenamento de 8 terabytes é alimentado por energia solar e está acoplado ao módulo lunar que agora viaja rumo ao satélite natural da Terra.

Diferente dos equipamentos científicos com fios expostos e design utilitário, esse dispositivo tem um visual futurista. Ele é uma estrutura fina, impressa em 3D, com curvas suaves e acabamento preto fosco, elevando o padrão estético das missões espaciais.

“Estamos nos preparando para voltar à Lua para ficar, e é essencial que tudo o que fizermos nos próximos anos seja feito com intenção e cuidado”, disse Bjarke Ingels, fundador da BIG. “Estamos estabelecendo os alicerces da futura sociedade lunar, e cada passo tem importância para o futuro”.

O dispositivo, que mede aproximadamente 25 cm por 18 cm, foi projetado para criar sombras que reproduzem os rostos dos astronautas da NASA Charlie Duke e Nicole Stott enquanto o Sol se move sobre a superfície lunar. No entanto, essa ideia pode ser mais conceitual do que funcional, já que o dispositivo está posicionado entre outros equipamentos e cabos, o que pode limitar a formação das sombras planejadas.

O armazenamento de dados está anexado ao lado do Athena, um módulo de alunissagem desenvolvido pela startup Intuitive Machines (IM), de Houston, dentro do programa de serviços de carga lunar da NASA. A IM já fez história em fevereiro de 2024 com o Odysseus, primeiro lander comercial a pousar na Lua.

Nesta nova missão, chamada IM-2, o foguete Falcon 9 da SpaceX, empresa de Elon Musk, foi lançado em 26 de fevereiro do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. A jornada até a Lua levará cerca de uma semana, com tentativa de pouso prevista para 6 de março.

O módulo Athena transporta experimentos científicos e tecnologias da NASA, incluindo um perfurador e um espectrômetro de massa para analisar a presença de gases e substâncias voláteis no solo lunar. Além disso, um conjunto de retrorefletores a laser permitirá que futuras espaçonaves utilizem a Lua como ponto de referência para navegação.

A bordo da mesma missão também está o Lunar Trailblazer, um orbitador da NASA projetado para mapear diferentes formas de água presentes na superfície lunar. Os dados coletados serão fundamentais para futuras explorações e colonizações.

O dispositivo de armazenamento de dados tem um impacto mais modesto, mas com potencial para influenciar a maneira como a humanidade protege suas informações. Ele operará por apenas um dia lunar (equivalente a cerca de duas semanas terrestres), testando a viabilidade de armazenar informações fora do planeta como forma de proteção contra catástrofes.

Mesmo com seu tempo de funcionamento limitado, Bjarke Ingels acredita que o projeto merece atenção. “Mesmo sendo modesto em escala, este data center é um dos poucos artefatos projetados para permanecer na paisagem lunar por muitos anos”, afirma ele.

Embora não esteja em funcionamento por muito tempo, o dispositivo se torna a primeira peça de design de alto padrão a chegar à Lua. E, provavelmente, não será a última.