O paradoxo do Windows 11 em 2026: Performance bruta contra um sistema entupido de anúncios

A Microsoft parece ter cansado de otimizações sutis e resolveu apelar para a força bruta no Windows 11. Segundo o pessoal do Windows Central, a empresa está testando um recurso chamado “Perfil de Baixa Latência” (Low Latency Profile), que faz parte de uma iniciativa interna gigantesca conhecida como Windows K2. A ideia é bem simples e um tanto agressiva: fazer os aplicativos abrirem bizarramente rápido jogando o processador para o clock máximo por rajadas muito curtas. Estamos falando de um pico de frequência de 1 a 3 segundos sempre que você clica em um app. Nos testes, aplicativos nativos da Microsoft, como o Edge e o Outlook, abriram cerca de 40% mais rápido. Se você for para coisas mais intrínsecas do sistema, como o Menu Iniciar e os menus de contexto, o ganho chega a absurdos 70%. É um salto de performance super perceptível, mas que cobra seu preço fazendo a CPU suar a camisa no limite.

Por enquanto, essa novidade do projeto K2 funciona no piloto automático e ninguém sabe direito se vai dar para ativar ou desativar isso manualmente. Colocar o processador no talo o tempo todo foge da cartilha de qualquer sistema operacional, já que o normal é justamente poupar a máquina e deixar espaço livre para quando os softwares mais pesados precisarem de fôlego. Só que, como o “boost” dura estourando três segundos, a expectativa é que a fluidez geral acabe compensando qualquer efeito colateral. E esses efeitos existem: engatilhar a frequência máxima da CPU para tarefas corriqueiras do OS fatalmente vai gerar um aquecimento extra da máquina como um todo. Quem usa notebook com certeza vai sentir a bateria indo embora um pouco mais rápido, embora seja bem provável que os engenheiros do K2 já estejam calculando uma forma de mitigar esse impacto. É uma abordagem que lembra muito aquela tentativa recente da empresa de pré-carregar o Explorador de Arquivos na inicialização. Como não dá para a Microsoft pré-carregar a vida inteira no Windows 11, eles decidiram jogar a carga pesada para o hardware de um jeito rápido o suficiente para que o usuário não se incomode. A real é que a maioria dos entusiastas aceitaria numa boa ver o uso de CPU dar um salto por um segundinho em troca de um sistema bem mais ágil, desde que isso não faça o PC virar uma fritadeira em média de temperatura.

Mas de que adianta a Microsoft torrar processamento para abrir o Menu Iniciar 70% mais rápido se, quando ele abre, a tela está poluída de coisas que você não pediu? É exatamente por isso que a performance pura não salva a experiência. Em qualquer instalação limpa do Windows 11 em pleno 2026, a primeira coisa que eu faço é uma bela faxina. O sistema vem de fábrica lotado de sugestões, espaços para publicidade e rastreadores de publicidade ativados. Não tem nada de ilegal nisso, mas também não está me fazendo nenhum favor. Esse processo de limpeza que eu rodo leva uns dez minutos e casa perfeitamente com os ajustes de regedit que eu sempre aplico em todo PC novo que cai na minha mão.

O Menu Iniciar e a barra de pesquisa são as áreas que a gente mais toca o tempo todo, então eles precisam perder essa poluição visual logo de cara. A metade inferior do Iniciar é uma bagunça que mistura apps instalados recentemente, arquivos do OneDrive que eu não faço questão de ver e propagandas da Microsoft maquiadas de “recomendações”. Para varrer isso do mapa, o caminho é Configurações, Personalização e Iniciar. Lá, eu simplesmente desligo todas as chaves possíveis daquela página, incluindo as opções de mostrar recomendações para dicas de apps e os famigerados arquivos recomendados. Já aproveito a viagem e mudo o layout para “Mais fixados”.

A caixa de pesquisa da barra de tarefas é outro poço de irritação. Aquele ícone rotativo que puxa assuntos aleatórios do Bing é o recurso de Destaques de pesquisa, e ele vive escondido em Configurações, Privacidade e segurança, e depois Pesquisa. É só rolar a tela para baixo e desligar os destaques. Agora, matar os resultados da web na pesquisa do Iniciar é de longe a parte mais chata dos três, simplesmente porque a Microsoft nunca criou um botãozinho nas configurações para isso. Quem usa o Windows 11 Pro precisa apelar: abrir o gpedit.msc e ativar a regra “Não pesquisar na Web ou exibir resultados da Web na Pesquisa” lá na rota de Configuração do Computador, Modelos Administrativos, Componentes do Windows e Pesquisar. Obviamente, nunca esqueça de fazer um backup do registro antes de mexer nessas coisas. Lá no Editor do Registro, vá em Arquivo, Exportar, marque tudo e salve o arquivo .reg em um lugar seguro para poder restaurar caso o sistema resolva surtar. Esse último truque do registro, inclusive, arranca o botão do Copilot da interface de pesquisa, o que você pode muito bem pular se a IA já fizer parte do seu dia a dia.

O Edge e a tela de bloqueio adoram ficar enchendo a paciência do usuário. O navegador chega a ser quase hostil nessa versão “limpa” do sistema, e eu falo isso sem o menor peso na consciência. A primeira vez que você clica no Edge, a Microsoft te empurra goela abaixo para um fluxo de configuração entupido de pop-ups pedindo para importar dados de outro browser, definir o Edge como padrão do sistema, aceitar “configurações de navegador recomendadas pela Microsoft” e vincular a sua conta. Cada um desses passos é meticulosamente desenhado para te prender no ecossistema deles. A solução para resolver essa novela é abrir o programa uma vez e recusar explicitamente cada um dos alertas para ele parar de pedir de novo. Feito isso, corra para Configurações, Aplicativos, Aplicativos Padrão e mude o navegador principal para o que você realmente usa. E já sabe: quando o pop-up insistindo no Edge voltar das cinzas após alguma atualização grande do Windows, o tratamento tem que ser exatamente o mesmo.

A tela de bloqueio é um ofensor um pouco mais silencioso. O Destaque do Windows é o padrão ali, o que na prática significa que o rodapé de toda imagem de fundo bonitinha vai carregar um texto promovendo as maravilhas do Microsoft 365, o catálogo do Game Pass ou o Edge. Dá para dar um fim nisso indo em Configurações, Personalização, Tela de bloqueio e mudando o status para “Nenhum”. Você também pode trocar o Destaque do Windows por uma imagem estática ou apresentação de slides, e aí é só não esquecer de desmarcar a caixinha absurda de “receber fatos divertidos, dicas e truques na tela de bloqueio”.

E para fechar o pacote, temos os anúncios invisíveis, que na real são os que mais importam. As reclamações sobre o Iniciar e o Edge são óbvias porque a coisa grita na nossa tela. Porém, as chaves de privacidade não são nada óbvias, e é justamente por isso que desativar esse grupo traz o maior alívio pro sistema, já que a esmagadora maioria das pessoas sequer sabe que essas telas existem. Vá em Configurações, Privacidade e segurança, clique em Recomendações e ofertas e apague todas as chaves daquela página sem dó. Isso inclui o “ID de publicidade”, a permissão bizarra para “deixar os sites acessarem minha lista de idiomas”, a opção de “melhorar os resultados do Iniciar” e as notificações nas próprias Configurações. No fim das contas, seu computador pode até ter o fôlego insano dos milissegundos do projeto K2 da Microsoft, mas ele só roda redondo e limpo de verdade quando você corta as asas do marketing que opera nas sombras do SO.