A linha Ultra da Xiaomi sempre girou em torno de uma premissa clara: entregar o máximo que uma câmera de celular pode oferecer. O novo Xiaomi 17 Ultra, apresentado pouco antes da MWC 2026 em Barcelona, não foge à regra, embora carregue alguns dos desafios típicos de seus antecessores.
É interessante notar que a empresa decidiu pular a versão 16, indo direto do 15 e 15 Ultra para o 17 e 17 Ultra, provavelmente numa tentativa de alinhar a nomenclatura à da Apple. Mas, tirando a mudança no número, os novos aparelhos são uma evolução sólida dos modelos do ano passado. O 17 Ultra é um smartphone Android extremamente capaz, trazendo uma tela OLED de 6,9 polegadas com 120Hz, o processador Snapdragon 8 Elite Gen 5, 16GB de RAM e opções de armazenamento de 512GB ou 1TB. A bateria de 6.000mAh conta com carregamento rápido de 90W e sem fio de 50W. Ele chega em três cores: Preto, Branco e o impactante Starlit Green.
O grande diferencial em relação ao Xiaomi 17 comum, também lançado em Barcelona, está no tamanho da tela e, claro, no conjunto fotográfico. O módulo traseiro, com a assinatura da Leica, é massivo: uma câmera principal de 50MP, uma telefoto de 200MP e uma ultra-wide de 50MP, somadas a uma frontal de 50MP. A lente telefoto de 200MP e 75-100mm entrega capacidades de zoom fora do comum, com até 17,2x de “zoom de nível óptico”. Nos testes, foi possível capturar imagens nítidas mesmo em 100x, enxergando muito além do que o olho humano alcançaria naturalmente.
Apesar de ser uma máquina potente, até os topos de linha podem apresentar comportamentos inesperados. Quem é usuário da marca sabe que o sistema Android da Xiaomi, embora robusto, tem suas particularidades. É comum, por exemplo, que o sistema entre em modos de diagnóstico ou recuperação, como o Fastboot, o que pode dar um susto considerável se você não souber do que se trata.
O modo Fastboot é, na verdade, um protocolo de operações avançadas. Ele serve para funções como instalar uma nova ROM, desbloquear o bootloader, fazer o flash de firmware, realizar backups ou restaurar o aparelho para os padrões de fábrica. O problema é que, nos aparelhos da Xiaomi, ele pode ser ativado acidentalmente devido à pressão simultânea dos botões laterais. O usuário acaba se deparando com a tela preta congelada, exibindo dois mascotes e a descrição “Fastboot”, o que leva muitos a pensarem que o aparelho quebrou.
Se isso acontecer com você, não entre em pânico, pois sair desse modo é uma tarefa bem simples. Basta pressionar os botões de ligar/desligar e o de volume para baixo simultaneamente por cerca de 30 segundos. Assim que a tela apagar, solte os botões e aguarde o aparelho reiniciar exibindo o logo da Redmi, POCO ou Mi. Em condições normais, ele deve iniciar normalmente logo em seguida.
É importante frisar que, se após esse procedimento o aparelho não voltar ao sistema operacional, o problema pode ser uma corrupção interna, e aí sim será necessário levar o dispositivo a uma assistência técnica especializada. O uso inadequado de ferramentas de sistema pode causar danos irreversíveis, então, se não estiver confortável, sempre busque ajuda profissional. Para evitar futuras surpresas, tente manter o celular sempre carregado, evite reinicializações forçadas desnecessárias e, caso precise mexer na ROM, certifique-se de que o arquivo é totalmente compatível com a sua versão específica do hardware.